domingo, 4 de julho de 2010

Hoje o meu pecado é a IRA


Posso sentir minhas mãos tremendo, mas não de ansiedade ou de frio, não por amor ou por tristeza e desespero; minhas mãos tremem, minhas mãos se esmagam, de Ira.
Hoje o meu pecado é a Ira.
Ira como nunca senti antes, ira como nunca me permiti sentir; acho sujo a ira, acho indigno, acho o mais desprezível dos pecados capitais.
Nunca queiram senti-la, ela pode levá-los à loucura em questão de segundos, ela pode deixá-los cegos para as coisas que os deixam felizes, a ponto de só poder abrir seus olhos para odiar alguém, ou alguma coisa, e sentir a imensurável vontade de matar ou maltratar, até que alguém te salve desse ato sujo e mal caráter.
A minha ira é momentânea, que bom. Seria capaz de elevar meu sadismo ao extremo se muito durasse.
O que mais me machuca, é ter de suportar a ira seguida da dor e pesadelos.
Vergonha. Devia ter ouvido papai Arthur Schopenhauer: " Não deixes transparecer teu ódio e tua ira".
Era um desabafo "papai"...

-Mas escutas: "Uma ira desmedida acaba em loucura; por isso, evita a ira, para conservares não apenas o domínio de ti mesmo, mas também a tua própria saúde"...

Obrigada Séneca, prometo para mim mesma proteger-me de situações que me enlouquecem, que me deixam, literalmente, irada.

Prometo não me irritar quando alguém tentar se passar por mim.

sábado, 3 de julho de 2010

Primeiro conto onírico...


"Perturbadora noite. Um sonho simples e ingênuo para qualquer um, mas não para mim.
Eu a via perfeitamente, sentia um incômodo, uma vontade de sair correndo daquele lugar, mas minha pernas não me deixavam, queriam permanecer ali, assim como uma grande parte de mim.
Ela não sorria, não fazia careta, ficava apenas só em seu mundo, e me ignorava, chegava a olhar para mim, mas não me via; isso me fazia parecer tão invisível e tão inútil naquele lugar... Mas eu queria permanecer ali, queria que ela me visse, queria ouvir sua voz, conhecer seu sorriso e entender o que nunca entendi.
Seus olhos me incomodavam ao olhar diretamente para os meus, sem demonstrar sequer uma emoção; eram gélidos e confusos. Confusão. Queria sair de lá.
Em outro mundo, não estava mais com ela, estava com um rapaz, um rapaz que muito me encanta, um rapaz que me diz para continuar a tentar entendê-la, conquistá-la.
Voltei. Perturbada. Amedrontada. Aqueles olhos sem expressão definida me fitavam novamente, mas dessa vez, fitavam realmente a mim, olhavam para os meus olhos, reparavam cada movimento de minha face, de meu corpo. Ela falou comigo.
Naquele momento fiquei estranhamente feliz, mas amedrontada.
Aquela voz entrava em meus ouvidos e despertava sentidos que nunca foram despertados. Meu sangue fluía para as mãos, meu corpo se sentia forte e raivoso. Eu poderia matá-la.
Ah, aquelas palavras me faziam chorar por dentro, me faziam morrer por dentro, mas eu queria ficar, eu só queria conquistar aquela moça, aquela moça que tanto me perturbava, me provocava, me fazia enlouquecer.
Eu tentava falar, não conseguia. Eu estava prestes a explodir mas queria que ela ouvisse o que eu tinha a dizer. Permaneci junto a ela.
O sangue agora fluía novamente para as pernas, eu só queria fugir e parar de sofrer com aquelas palavras, com aqueles olhos gélidos e agora, provocantes.
Não consegui fugir, não consegui falar, não consegui chorar, não consegui morrer...
Só consegui querer agradar aquela que sugava minhas forças; me matava por dentro e me fazia querer sumir por fora. Sumi."






Como eu queria que essa moça sumisse dos meus sonhos, sumisse da minha vida...