terça-feira, 20 de abril de 2010

A rotina


Desde o primeiro dia que ouvi, me apaixonei.
Aí vai minha primeira adoração:


"A idéia é a rotina do papel,
O céu é a rotina do edifício,
O início é a rotina do final,
A escolha é a rotina do gosto,
A rotina do espelho é o oposto.
A rotina do perfume é a lembrança,
O pé é a rotina da dança,
A rotina da garganta é o rock,
A rotina da mão é o toque.
Julieta é a rotina do queijo,
A rotina da boca é o desejo,
O dente é a rotina do assobio,
A rotina da pele é o arrepio.
A rotina do caminho é a direção,
A rotina do destino é a certeza,
Toda rotina tem sua beleza"

Sobre o post anterior...


Nunca parei para me apreciar, ou para me elogiar, ou simplesmente parei para perceber que a beleza está nos olhos de quem a vê.
Acostumada com a falta de beleza que está a vida atual, a beleza das pequenas coisas passa despercebida pelos olhos distraídos de quem está preocupado em apenas viver, e não aproveitar a vida: eu.
Resolvi começar a perceber pequenas belezas escondidas ou explícitas, mas que um dia não percebi; por que não começar por mim? Claro, de uma forma idealizada, pois idealização é uma forma, para mim, de fuga da realidade, ou apenas exagero da mesma; e eu gosto.
E por que não junto com essa percepção da minha pessoa, já que idealizada, associa-la ao narcisismo? E com isso, fazer um texto bonito, que lerei daqui uns tempos e pararei para refletir sobre mim mesma no passado, por que não no presente, e no futuro...

Nunca parei também para me amar, uma vez que o amor próprio é tão importante quanto respirar.
Se não me amar, quem me amará?
Não, não me amo tanto quanto está parecendo no post anterior; eu apenas gosto de fazer descrições, comparações e idealizações nos textos nos quais escrevo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Hoje meu pecado é a vaidade...


"A vaidade é considerada o mais grave dos pecados capitais."


Tomada pela vaidade, quero atrair olhares, quero ser admirada, quero me admirar, quero olhar exclusivamente para mim, afinal, o que me dá prazer sou eu, somente a minha pessoa.
Ah, o narcisismo... Narcisismo que me permite sorrir, que faz meus olhos brilharem, e minha cabeça se erguer de orgulho, graças à tão belo sorriso.
Ah, que cabelos... Quando neles os raios do sol tocam são mais dourados que ouro, são mais vistosos que diamantes. São tão apaixonantes esses cabelos...
Quando movo minhas mãos, parecem duas plumas, são tão macias e leves que me fazem querer tocá-las, e brincar de dançar, apenas para ver tão belas mãos se movendo; Meu toque suave as leva para meu rosto, tão delicado e liso, fecho meus olhos e aprecio cada segundo de meu acariciar; Quando os abro, olho diretamente para eles, tão perfeitamente delineados e com uma cor que me lembra as abelhas do campo, que levam mel às colmeias, e me perco nas colmeias que são meus olhos.
Quando acordo desse maravilhoso e doce sonho, lambo os lábios, e lembro-me de tal perfeição que são meus lábios: sua simetria tão sensual, tão beijável, sua cor natural tão simples, mas tão chamativa; o seu gosto... Meu próprio gosto. É como se me beijasse e viajasse no gosto inexplicável que tenho.
Ah... O que seria da minha beleza se fechassem os olhos para mim?
Na verdade, o que seria da minha beleza se eu não a pudesse ver...

domingo, 18 de abril de 2010

"Regeneração do meu sertão"

Graças à escola, fiz uma redação, que acho que foi a melhor que já produzi até hoje.
Obtive uma nota ótima, fato. E admito que fiquei orgulhosa de mim.
Pode não ser tão boa assim para você que está lendo, mas na verdade estou postando porque nunca quero perder essa produção.
Eu e Pablo uma vez, até improvisamos uma música em cima dela, ficou muito legal, mas como era de se esperar, esquecemos o que fizemos, e isso foi muito triste, mas fico feliz por não ter perdido a redação.




" Regeneração do meu sertão

Hoje faz seis meses completos, agonizantes seis meses que nosso sertão não vê água, não pode senti-la, não pode tê-la.
Suas terras, seus animais, seus habitantes, estão todos morrendo; estão todos "rachando": o chão, as bocas, as peles, as vidas.
O Nordeste nunca esteve tão "vermelho", tão triste, tão morto; Não há mais água para nos refrescar, para nos dar alimento, para nos dar de beber.
Estou escrevendo este texto como forma de súplica, forma de não ter de gastar o pouco de saliva que resta em minha boca seca e queimada. Olhando agora para as terras à minha volta, vejo crateras provocadas pelo calor, vejo animais esgotados, mortos por procurar água, mas vejo também agora, o dia não vermelho, mas negro, como se subitamente anoitecesse: o céu se fechou em nuvens negras bem à minha frente, relâmpagos iluminavam tudo, pessoas saíam de suas humildes casas tão rápido quanto a súbita negritude do céu.
Começou a chover forte. Animais e pessoas se banham naquela chuva, não só como reação de alegria, mas também como de desespero.

Nesse momento, água tem gosto, gosto de vida e de milagre; água tem forma, forma de felicidade e de regeneração, regeneração dos campos, do sertão.
Tudo está molhado, desde as folhas das árvores às folhas de papel em que escrevia; minha súplica transformou-se, assim como tudo à minha volta, em água. Sorrir nunca foi tão fácil. "

quarta-feira, 7 de abril de 2010


"Sorria, assim você não vai me convencer.

Não é fingindo que eu quero te agradar,
sou triste e não vou mudar,
não quer dizer que eu não queira te amar.

Só digo porque não parece que você quer me ver sorrir.

Amor, está tão enganada,
o teu sorriso me faz permanecer aqui,
tão calmo, tão sóbrio, tão vivo,
todos os meus sentimentos dependem de você,
eu te amo, e só te amo.

Eu peço que me deixe cuidar de ti amor.

Me sinto tão melhor amor,
falou o que eu precisava ouvir,
agora eu consigo sorrir,
eu posso sorrir. "





Música de minha autoria inspirada em um diálogo
(que a propósito foi muito importante para mim).

terça-feira, 6 de abril de 2010

Escrevo para quem?


Escrevo para mim, escrevo para você,
escrevo para quem me conhece, para quem me desconhece, para quem me gosta, ou quem não;
escrevo para os dispostos, para os sonhadores, e para simples leitores,
escrevo para indispostos, desiludidos, pobres felizes, ou tristes ricos;
escrevo para o mundo, para terra, para água,
para corados e para pálidos;
escrevo para mim.
Escrevo para o futuro, sobre o presente e talvez o passado.
Sinto, sorrio, escrevo;
sinto, choro, escrevo;
ou simplesmente escrevo.
Escrevo bem, escrevo mal, gosto do que escrevi... Ou não...
Escrevo para quem?
Para feios e para bonitos,
para interessados e para distraídos,
para tristes, traidores ou traídos;
para crianças, adultos, velhos e talvez bandidos;
escrevo para quem gosta de ler.
Escrevo prazerozamente.
Escrevo por amor, por felicidade, por tristeza, ou amizade; por desespero, desamparo, desilusão;
escrevo por medo ou por paixão.
Escrevo para quem?
Escrevo para o que existe... Ou não...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Como me descrevi aos quinze anos...


Eu me preocupo com coisas sem motivo, eu gosto de coisas estranhas, eu uso óculos quando quero, eu tenho um cachorro, meu irmão me ama, meus pais também, enjoei do meu quarto, idolatro chocolate, como muita carne, meu cabelo me odeia, sou de sagitário, durmo do lado contrário, viciada em música, metida a saber cantar, sou a favor do pacifismo, controlo muito bem a raiva, sou auto-consciente, meu namorado é incrível, quando estresso minhas mãos descascam, minha unha é linda, gostaria de gostar de ler, tenho vontade de ser modelo, mas também de ser médica, pretendo morrer com 120 anos, já chorei pensando no fim do mundo, já imaginei a morte, já sofri por coisas bestas, já sofri por coisas importantes, já menti por telefone, já joguei o meu no chão, já dormi na Yoga, já dancei na sapatilha de ponta, sei mecher a barriga, vejo minhas fotos todos os dias, escrevo músicas e outras coisas, quero aprender violão, toco bateria imaginária, meu computador é velho, meu pé é estranho, tem dias que me odeio, tem dias que me amo, acredito na teoria do Big Bang, mas também que Deus existe, acho incrível o sujeito que criou o satélite, olho a lua toda noite, choro pensando no meu tio, tenho medo de perder os meus avós, nunca quebrei nenhum espelho, sei falar inglês, e um dia, uma pessoa como eu vai consertar o mundo.

Importante lembrar-me futuramente de como eu era, como me sentia, e como me via aos 15 anos...

Composição aos 15 anos:
Não sei o que sentir a respeito das coisas, não sei se choro ou se sorrio, não tenho certeza se estou incomodada ou se estou bem, se grito ou se canto, se amo ou se odeio, se admiro ou se invejo; nessa fase da vida, o que faço melhor é ouvir música e ler um pouco, as outras coisas estão sempre erradas: pais exigentes e protetores, amigos (amigos?), mente complicada, sentimento estranho de não ser amada...Fase complicada, fase das vontades, fase de querer fazer o que eu acho correto, de inventar pequenas mentiras para conseguir o que quero; aquela onde escrever uma música depressiva é algo comum, onde rir e chorar ao mesmo tempo é divertido e humilhante. É confuso e terrível saber que isso tudo irá acabar, como eu queria ser para sempre adolescente!

É incrível como mudei minha forma de pensar dentro de um ano! Como estou mudada, como minhas preocupações mudaram. Oh, como estou mais adulta, mas ainda tão criança...
Um poeta, creio que amador, ou desconhecido, falou da adolescencia da forma como eu a via, e creio que ainda a vejo:
Adolescência
Ederson Peka
Há no ar um teor de expectação,/Borbulhar de emoções imprevisíveis:/Vários níveis de amores... e desníveis.../Idas e vindas: jovem coração./
Preso em mil barreiras intransponíveis./Muitos amigos, rios de solidão,/Mal-entendidos, chances de perdão,/Prisões de orgulho e celas tão terríveis/
Que libertar-se delas é sofrer!/Mas sofrimento também faz crescer.../E o orgulho sucumbindo à humildade/
Cultivará nos outros a esperança/De que deixaste os erros de criança/E agora tens responsabilidade...
Estou confusa, não sei se escrevi tudo que quero me lembrar futuramente ao acessar esse blog, afinal, essa é minha intenção. Espero ir melhorando nos próximos posts, e espero também conseguir expressar perfeitamente o que sinto, e o que sentirei ao longo da vida, da minha evolução.