domingo, 28 de novembro de 2010

À uma velha conhecida...

Amada Mata Atlântica


Minha amata,
Por que foste assim tão rápido?
Quem ousou maltratar-te
e tirar de ti tudo de vivo e belo?
Minha amata,
o que resta de ti
são lembranças cartografadas
em livros de história,
e um pequeno borrão verde
contornando nossa pátria.
Oh, minha amata!
Por que não me esperastes
para desfrutar de tua riqueza e
devolver-te depois?
Eu prometo, minha amata,
que devolveria tudo que
de ti tirasse,
por que não me esperastes?





Em três minutos de inspiração construí esse poema; desconheço provável motivo. Inspiração veio e foi-se embora rápido, fico feliz em ter corrido para pegar papel e caneta.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Amar para Drummond...


Amar
Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar,desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Internacionalização da Amazônia?

Internacionalização da Amazônia
por: Cristóvam Buarque


Durante debate ocorrido no mês de Novembro/2000, em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT), foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Segundo Cristovam, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para a sua resposta:

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo e risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado . Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveriam pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."


Cristóvam Buarque foi governador do Distrito Federal (PT) e reitor da Universidade de Brasília (UnB), nos anos 90. É palestrante e humanista respeitado mundialmente.


Lido na aula de Geografia.
Marcele, essa aula sua foi show!

sábado, 11 de setembro de 2010

Quem é julieta?

Julieta é triste...

Julieta não sorri nem sente vontades,

Julieta não sente dor nem conhece o prazer.

Julieta não vê cores, não sente odores e não ama flores.

Julieta não ama, não conhece o amor.

Julieta não chora, não conhece o horror.

Julieta não ignora, não machuca e não acalenta,

Julieta não destrói e nem sustenta.

Julieta não tem cor, calor, competência ou composição,

Julieta não conhece música, mimo ou mitigação.

Sonhos? Julieta nunca ouviu falar.

Expressão? Julieta tem uma:

Olhos enigmáticos de paz e de terror,

Boca triste, e feliz, e pacífica, e assustada,

Péle com marcas do tempo;

Mas o tempo não passa para Julieta,

O tempo não atinge Julieta,

Julieta não é mortal, não é morta, não conhece mortalidade.

Julieta não existe,

Julieta não é de verdade.

Julieta está em mim, em você,

No céu, nesse papel.

domingo, 4 de julho de 2010

Hoje o meu pecado é a IRA


Posso sentir minhas mãos tremendo, mas não de ansiedade ou de frio, não por amor ou por tristeza e desespero; minhas mãos tremem, minhas mãos se esmagam, de Ira.
Hoje o meu pecado é a Ira.
Ira como nunca senti antes, ira como nunca me permiti sentir; acho sujo a ira, acho indigno, acho o mais desprezível dos pecados capitais.
Nunca queiram senti-la, ela pode levá-los à loucura em questão de segundos, ela pode deixá-los cegos para as coisas que os deixam felizes, a ponto de só poder abrir seus olhos para odiar alguém, ou alguma coisa, e sentir a imensurável vontade de matar ou maltratar, até que alguém te salve desse ato sujo e mal caráter.
A minha ira é momentânea, que bom. Seria capaz de elevar meu sadismo ao extremo se muito durasse.
O que mais me machuca, é ter de suportar a ira seguida da dor e pesadelos.
Vergonha. Devia ter ouvido papai Arthur Schopenhauer: " Não deixes transparecer teu ódio e tua ira".
Era um desabafo "papai"...

-Mas escutas: "Uma ira desmedida acaba em loucura; por isso, evita a ira, para conservares não apenas o domínio de ti mesmo, mas também a tua própria saúde"...

Obrigada Séneca, prometo para mim mesma proteger-me de situações que me enlouquecem, que me deixam, literalmente, irada.

Prometo não me irritar quando alguém tentar se passar por mim.

sábado, 3 de julho de 2010

Primeiro conto onírico...


"Perturbadora noite. Um sonho simples e ingênuo para qualquer um, mas não para mim.
Eu a via perfeitamente, sentia um incômodo, uma vontade de sair correndo daquele lugar, mas minha pernas não me deixavam, queriam permanecer ali, assim como uma grande parte de mim.
Ela não sorria, não fazia careta, ficava apenas só em seu mundo, e me ignorava, chegava a olhar para mim, mas não me via; isso me fazia parecer tão invisível e tão inútil naquele lugar... Mas eu queria permanecer ali, queria que ela me visse, queria ouvir sua voz, conhecer seu sorriso e entender o que nunca entendi.
Seus olhos me incomodavam ao olhar diretamente para os meus, sem demonstrar sequer uma emoção; eram gélidos e confusos. Confusão. Queria sair de lá.
Em outro mundo, não estava mais com ela, estava com um rapaz, um rapaz que muito me encanta, um rapaz que me diz para continuar a tentar entendê-la, conquistá-la.
Voltei. Perturbada. Amedrontada. Aqueles olhos sem expressão definida me fitavam novamente, mas dessa vez, fitavam realmente a mim, olhavam para os meus olhos, reparavam cada movimento de minha face, de meu corpo. Ela falou comigo.
Naquele momento fiquei estranhamente feliz, mas amedrontada.
Aquela voz entrava em meus ouvidos e despertava sentidos que nunca foram despertados. Meu sangue fluía para as mãos, meu corpo se sentia forte e raivoso. Eu poderia matá-la.
Ah, aquelas palavras me faziam chorar por dentro, me faziam morrer por dentro, mas eu queria ficar, eu só queria conquistar aquela moça, aquela moça que tanto me perturbava, me provocava, me fazia enlouquecer.
Eu tentava falar, não conseguia. Eu estava prestes a explodir mas queria que ela ouvisse o que eu tinha a dizer. Permaneci junto a ela.
O sangue agora fluía novamente para as pernas, eu só queria fugir e parar de sofrer com aquelas palavras, com aqueles olhos gélidos e agora, provocantes.
Não consegui fugir, não consegui falar, não consegui chorar, não consegui morrer...
Só consegui querer agradar aquela que sugava minhas forças; me matava por dentro e me fazia querer sumir por fora. Sumi."






Como eu queria que essa moça sumisse dos meus sonhos, sumisse da minha vida...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

"Parece recíproco"

"Até sem inspiração, pensar em ti me faz escrever,

até sem estar te vendo consigo te sentir,

e meu sorriso começa discretamente a surgir.

Querer-te por perto está cada dia mais fácil,

abraçar-te virou um vício,

teu gosto, teu cheiro, teu toque

a cada momento conseguem me envolver,

meu corpo responde,

meus olhos respondem,

minha boca te beija, te beija, e te deseja...

Ritmo frenético estar contigo,

calor intenso teu abrigo,

te sinto, te gosto, aposto:

me queres contigo,

te quero comigo."


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Hoje "meu" pecado é a inveja...

Inspirada nos pecados capitais, estou escrevendo algo sobre cada um deles; hoje, a inveja.
Como não me encontrei nesse tema, meu eu-lírico se encontrou.
Resolvi fazer um soneto, o que exigiu um trabalho maior, e mais tempo me dedicando à esse post, à cada verso decassílabo, à cada palavra; simplesmente adorei passar um tempo escrevendo, e mais um pouco escolhendo a imagem ideal.
Então aí vai meu "Soneto da Inveja".





Soneto da Inveja

Ah! Quem me dera ser você - um pouco
Só para sentir aqueles braços nus
Para ter aquelas curvas, e também
Aquele doce rosto, belo amor.

Poder desfrutar de uma paixão
Que nunca terei: a que você tem.
Você, desprezivelmente feliz
Me olha com superioridade.

Você pode, você a tem; e eu
Submisso à ela, inferior
Posso sonhar, e invejar você.

Ah! Essa inveja há de me matar!
Mereço! Do jeito que o cobiço...
É... Não mereço nada além da morte.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A rotina


Desde o primeiro dia que ouvi, me apaixonei.
Aí vai minha primeira adoração:


"A idéia é a rotina do papel,
O céu é a rotina do edifício,
O início é a rotina do final,
A escolha é a rotina do gosto,
A rotina do espelho é o oposto.
A rotina do perfume é a lembrança,
O pé é a rotina da dança,
A rotina da garganta é o rock,
A rotina da mão é o toque.
Julieta é a rotina do queijo,
A rotina da boca é o desejo,
O dente é a rotina do assobio,
A rotina da pele é o arrepio.
A rotina do caminho é a direção,
A rotina do destino é a certeza,
Toda rotina tem sua beleza"

Sobre o post anterior...


Nunca parei para me apreciar, ou para me elogiar, ou simplesmente parei para perceber que a beleza está nos olhos de quem a vê.
Acostumada com a falta de beleza que está a vida atual, a beleza das pequenas coisas passa despercebida pelos olhos distraídos de quem está preocupado em apenas viver, e não aproveitar a vida: eu.
Resolvi começar a perceber pequenas belezas escondidas ou explícitas, mas que um dia não percebi; por que não começar por mim? Claro, de uma forma idealizada, pois idealização é uma forma, para mim, de fuga da realidade, ou apenas exagero da mesma; e eu gosto.
E por que não junto com essa percepção da minha pessoa, já que idealizada, associa-la ao narcisismo? E com isso, fazer um texto bonito, que lerei daqui uns tempos e pararei para refletir sobre mim mesma no passado, por que não no presente, e no futuro...

Nunca parei também para me amar, uma vez que o amor próprio é tão importante quanto respirar.
Se não me amar, quem me amará?
Não, não me amo tanto quanto está parecendo no post anterior; eu apenas gosto de fazer descrições, comparações e idealizações nos textos nos quais escrevo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Hoje meu pecado é a vaidade...


"A vaidade é considerada o mais grave dos pecados capitais."


Tomada pela vaidade, quero atrair olhares, quero ser admirada, quero me admirar, quero olhar exclusivamente para mim, afinal, o que me dá prazer sou eu, somente a minha pessoa.
Ah, o narcisismo... Narcisismo que me permite sorrir, que faz meus olhos brilharem, e minha cabeça se erguer de orgulho, graças à tão belo sorriso.
Ah, que cabelos... Quando neles os raios do sol tocam são mais dourados que ouro, são mais vistosos que diamantes. São tão apaixonantes esses cabelos...
Quando movo minhas mãos, parecem duas plumas, são tão macias e leves que me fazem querer tocá-las, e brincar de dançar, apenas para ver tão belas mãos se movendo; Meu toque suave as leva para meu rosto, tão delicado e liso, fecho meus olhos e aprecio cada segundo de meu acariciar; Quando os abro, olho diretamente para eles, tão perfeitamente delineados e com uma cor que me lembra as abelhas do campo, que levam mel às colmeias, e me perco nas colmeias que são meus olhos.
Quando acordo desse maravilhoso e doce sonho, lambo os lábios, e lembro-me de tal perfeição que são meus lábios: sua simetria tão sensual, tão beijável, sua cor natural tão simples, mas tão chamativa; o seu gosto... Meu próprio gosto. É como se me beijasse e viajasse no gosto inexplicável que tenho.
Ah... O que seria da minha beleza se fechassem os olhos para mim?
Na verdade, o que seria da minha beleza se eu não a pudesse ver...

domingo, 18 de abril de 2010

"Regeneração do meu sertão"

Graças à escola, fiz uma redação, que acho que foi a melhor que já produzi até hoje.
Obtive uma nota ótima, fato. E admito que fiquei orgulhosa de mim.
Pode não ser tão boa assim para você que está lendo, mas na verdade estou postando porque nunca quero perder essa produção.
Eu e Pablo uma vez, até improvisamos uma música em cima dela, ficou muito legal, mas como era de se esperar, esquecemos o que fizemos, e isso foi muito triste, mas fico feliz por não ter perdido a redação.




" Regeneração do meu sertão

Hoje faz seis meses completos, agonizantes seis meses que nosso sertão não vê água, não pode senti-la, não pode tê-la.
Suas terras, seus animais, seus habitantes, estão todos morrendo; estão todos "rachando": o chão, as bocas, as peles, as vidas.
O Nordeste nunca esteve tão "vermelho", tão triste, tão morto; Não há mais água para nos refrescar, para nos dar alimento, para nos dar de beber.
Estou escrevendo este texto como forma de súplica, forma de não ter de gastar o pouco de saliva que resta em minha boca seca e queimada. Olhando agora para as terras à minha volta, vejo crateras provocadas pelo calor, vejo animais esgotados, mortos por procurar água, mas vejo também agora, o dia não vermelho, mas negro, como se subitamente anoitecesse: o céu se fechou em nuvens negras bem à minha frente, relâmpagos iluminavam tudo, pessoas saíam de suas humildes casas tão rápido quanto a súbita negritude do céu.
Começou a chover forte. Animais e pessoas se banham naquela chuva, não só como reação de alegria, mas também como de desespero.

Nesse momento, água tem gosto, gosto de vida e de milagre; água tem forma, forma de felicidade e de regeneração, regeneração dos campos, do sertão.
Tudo está molhado, desde as folhas das árvores às folhas de papel em que escrevia; minha súplica transformou-se, assim como tudo à minha volta, em água. Sorrir nunca foi tão fácil. "

quarta-feira, 7 de abril de 2010


"Sorria, assim você não vai me convencer.

Não é fingindo que eu quero te agradar,
sou triste e não vou mudar,
não quer dizer que eu não queira te amar.

Só digo porque não parece que você quer me ver sorrir.

Amor, está tão enganada,
o teu sorriso me faz permanecer aqui,
tão calmo, tão sóbrio, tão vivo,
todos os meus sentimentos dependem de você,
eu te amo, e só te amo.

Eu peço que me deixe cuidar de ti amor.

Me sinto tão melhor amor,
falou o que eu precisava ouvir,
agora eu consigo sorrir,
eu posso sorrir. "





Música de minha autoria inspirada em um diálogo
(que a propósito foi muito importante para mim).

terça-feira, 6 de abril de 2010

Escrevo para quem?


Escrevo para mim, escrevo para você,
escrevo para quem me conhece, para quem me desconhece, para quem me gosta, ou quem não;
escrevo para os dispostos, para os sonhadores, e para simples leitores,
escrevo para indispostos, desiludidos, pobres felizes, ou tristes ricos;
escrevo para o mundo, para terra, para água,
para corados e para pálidos;
escrevo para mim.
Escrevo para o futuro, sobre o presente e talvez o passado.
Sinto, sorrio, escrevo;
sinto, choro, escrevo;
ou simplesmente escrevo.
Escrevo bem, escrevo mal, gosto do que escrevi... Ou não...
Escrevo para quem?
Para feios e para bonitos,
para interessados e para distraídos,
para tristes, traidores ou traídos;
para crianças, adultos, velhos e talvez bandidos;
escrevo para quem gosta de ler.
Escrevo prazerozamente.
Escrevo por amor, por felicidade, por tristeza, ou amizade; por desespero, desamparo, desilusão;
escrevo por medo ou por paixão.
Escrevo para quem?
Escrevo para o que existe... Ou não...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Como me descrevi aos quinze anos...


Eu me preocupo com coisas sem motivo, eu gosto de coisas estranhas, eu uso óculos quando quero, eu tenho um cachorro, meu irmão me ama, meus pais também, enjoei do meu quarto, idolatro chocolate, como muita carne, meu cabelo me odeia, sou de sagitário, durmo do lado contrário, viciada em música, metida a saber cantar, sou a favor do pacifismo, controlo muito bem a raiva, sou auto-consciente, meu namorado é incrível, quando estresso minhas mãos descascam, minha unha é linda, gostaria de gostar de ler, tenho vontade de ser modelo, mas também de ser médica, pretendo morrer com 120 anos, já chorei pensando no fim do mundo, já imaginei a morte, já sofri por coisas bestas, já sofri por coisas importantes, já menti por telefone, já joguei o meu no chão, já dormi na Yoga, já dancei na sapatilha de ponta, sei mecher a barriga, vejo minhas fotos todos os dias, escrevo músicas e outras coisas, quero aprender violão, toco bateria imaginária, meu computador é velho, meu pé é estranho, tem dias que me odeio, tem dias que me amo, acredito na teoria do Big Bang, mas também que Deus existe, acho incrível o sujeito que criou o satélite, olho a lua toda noite, choro pensando no meu tio, tenho medo de perder os meus avós, nunca quebrei nenhum espelho, sei falar inglês, e um dia, uma pessoa como eu vai consertar o mundo.

Importante lembrar-me futuramente de como eu era, como me sentia, e como me via aos 15 anos...

Composição aos 15 anos:
Não sei o que sentir a respeito das coisas, não sei se choro ou se sorrio, não tenho certeza se estou incomodada ou se estou bem, se grito ou se canto, se amo ou se odeio, se admiro ou se invejo; nessa fase da vida, o que faço melhor é ouvir música e ler um pouco, as outras coisas estão sempre erradas: pais exigentes e protetores, amigos (amigos?), mente complicada, sentimento estranho de não ser amada...Fase complicada, fase das vontades, fase de querer fazer o que eu acho correto, de inventar pequenas mentiras para conseguir o que quero; aquela onde escrever uma música depressiva é algo comum, onde rir e chorar ao mesmo tempo é divertido e humilhante. É confuso e terrível saber que isso tudo irá acabar, como eu queria ser para sempre adolescente!

É incrível como mudei minha forma de pensar dentro de um ano! Como estou mudada, como minhas preocupações mudaram. Oh, como estou mais adulta, mas ainda tão criança...
Um poeta, creio que amador, ou desconhecido, falou da adolescencia da forma como eu a via, e creio que ainda a vejo:
Adolescência
Ederson Peka
Há no ar um teor de expectação,/Borbulhar de emoções imprevisíveis:/Vários níveis de amores... e desníveis.../Idas e vindas: jovem coração./
Preso em mil barreiras intransponíveis./Muitos amigos, rios de solidão,/Mal-entendidos, chances de perdão,/Prisões de orgulho e celas tão terríveis/
Que libertar-se delas é sofrer!/Mas sofrimento também faz crescer.../E o orgulho sucumbindo à humildade/
Cultivará nos outros a esperança/De que deixaste os erros de criança/E agora tens responsabilidade...
Estou confusa, não sei se escrevi tudo que quero me lembrar futuramente ao acessar esse blog, afinal, essa é minha intenção. Espero ir melhorando nos próximos posts, e espero também conseguir expressar perfeitamente o que sinto, e o que sentirei ao longo da vida, da minha evolução.