quarta-feira, 13 de abril de 2011

Uma nova concepção do "Carpe Diem"

As pessoas costumavam conhecer o "Carpe Diem" com seu primeiro significado, o de realmente aproveitar o dia com coisas boas, que trouxessem o bem estar, ou para algumas até mesmo a prazer imediato; acontece que a nova concepção que se faz de Carpe Diem está associada a evitar que o tempo as deixe para trás e vem acompanhada de um prazer não imediato, mas futuro, como se correr hoje proporcionasse o relaxamento de amanhão. Perder tempo hoje, é, para muitos, ser passado para trás, é ver alguém á sua frente, é querer competir e estar cada vez crescendo mais, a fim de levar uma vida mais confortável, financeiramente falando. Competição traz pressa, portando, tensão. Antes da tensão, as pessoas passam pela experiência da impaciência, que a pressa lhes proporciona. A busca por um ritmo mais acelerado, à ter que pensar que precisam aumentar o seu próprio. A tensão pode também ter sido antecipada pela busca por respostas mais rápidas. A pressa chegou até nesse setor da vida: a busca por respostas hoje está associada, principalmente, à melhora da qualidade de vida e até prolongamento dela, além das resposta para um desenvolvimento tecnológico para atender a crescente busca pelo conforto. Muitas pessoas têm pressa hoje, para amanhã poder relaxar e encontrar a primeira concepção do carpe Diem - citada anteriormente -, mas para isso acabam abrindo mão de pequenas coisas que trazem felicidade, prazer imediato e bem estar, que são essenciais para a conservação da saúde. Vale a pena conferir: http://www.youtube.com/watch?v=Uw2QsGLZXVs "A Sociedade dos Poetas Mortos"

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Há tempos não escrevia aqui, na verdade, nem aqui, nem em lugar nenhum, apenas nas redações da escola.... Parece que tem faltado inspiração e tempo, até porque as vezes é preciso tempo livre pra pensar em coisas boas ou até ruins e escrever sobre elas.
Numa das redações propostas, gostei do que escrevi, além de estar com saudade de postar aqui...
Tema: O desafio de se conviver com a diferença.


Foto motivadora da proposta de redação


Saímos do Estado de Natureza há tempos...

A partir do momento que nós, seres humanos, começamos a conviver com outros seres humanos, saímos do estado de natureza para o de sociedade que segundo John Locke é o momento que precisam surgir as leis e um governo para regulamentar os três direitos invioláveis; dentre os três direitos está a igualdade, e é aí que começam os conflitos e que entra a questão da diferença.
Os seres humanos são diferentes entre si fisicamente, mentalmente, culturalmente, enfim poucas coisa são iguais e o fato de sermos de um mesmos grupo está relacionado a características fisiológicas e da formação da espécie.
Mesmo com todas as diferenças, por termos que convivier uns com os outros, foram criadas séries de direitos e deveres, a ética e a busca pela igualdade - que não é totalmene possível graças à existência de hierarquias.
Em cada organização social as pessoas se comportam de formas semelhantes, e o fato de existirem diferentes organizações sociais faz surgir além da diferença individual, a diferença de grupos entre si.
Além de ninguém ser como ninguém, os grupos também são diferentes entre si, e se já é difícil para cada ser humano conviver com a diferença de cada um, mais difícil ainda é conviver com diferenças que dentro de um grupo não existem, mas entre grupos existe e pode ser até perigosa a divergência de opiniões dentro de uma mesma sociedade dividida de diferentes formas.
O jeito é fazer o que se quer respeitando o que se pode, isto é, fazer o seu e respeitar as diferenças, pois agora não estamos mais sozinhos, saímos do estado de natureza há tempos.










domingo, 28 de novembro de 2010

À uma velha conhecida...

Amada Mata Atlântica


Minha amata,
Por que foste assim tão rápido?
Quem ousou maltratar-te
e tirar de ti tudo de vivo e belo?
Minha amata,
o que resta de ti
são lembranças cartografadas
em livros de história,
e um pequeno borrão verde
contornando nossa pátria.
Oh, minha amata!
Por que não me esperastes
para desfrutar de tua riqueza e
devolver-te depois?
Eu prometo, minha amata,
que devolveria tudo que
de ti tirasse,
por que não me esperastes?





Em três minutos de inspiração construí esse poema; desconheço provável motivo. Inspiração veio e foi-se embora rápido, fico feliz em ter corrido para pegar papel e caneta.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Amar para Drummond...


Amar
Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar,desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Internacionalização da Amazônia?

Internacionalização da Amazônia
por: Cristóvam Buarque


Durante debate ocorrido no mês de Novembro/2000, em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT), foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Segundo Cristovam, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para a sua resposta:

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo e risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado . Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveriam pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."


Cristóvam Buarque foi governador do Distrito Federal (PT) e reitor da Universidade de Brasília (UnB), nos anos 90. É palestrante e humanista respeitado mundialmente.


Lido na aula de Geografia.
Marcele, essa aula sua foi show!

sábado, 11 de setembro de 2010

Quem é julieta?

Julieta é triste...

Julieta não sorri nem sente vontades,

Julieta não sente dor nem conhece o prazer.

Julieta não vê cores, não sente odores e não ama flores.

Julieta não ama, não conhece o amor.

Julieta não chora, não conhece o horror.

Julieta não ignora, não machuca e não acalenta,

Julieta não destrói e nem sustenta.

Julieta não tem cor, calor, competência ou composição,

Julieta não conhece música, mimo ou mitigação.

Sonhos? Julieta nunca ouviu falar.

Expressão? Julieta tem uma:

Olhos enigmáticos de paz e de terror,

Boca triste, e feliz, e pacífica, e assustada,

Péle com marcas do tempo;

Mas o tempo não passa para Julieta,

O tempo não atinge Julieta,

Julieta não é mortal, não é morta, não conhece mortalidade.

Julieta não existe,

Julieta não é de verdade.

Julieta está em mim, em você,

No céu, nesse papel.

domingo, 4 de julho de 2010

Hoje o meu pecado é a IRA


Posso sentir minhas mãos tremendo, mas não de ansiedade ou de frio, não por amor ou por tristeza e desespero; minhas mãos tremem, minhas mãos se esmagam, de Ira.
Hoje o meu pecado é a Ira.
Ira como nunca senti antes, ira como nunca me permiti sentir; acho sujo a ira, acho indigno, acho o mais desprezível dos pecados capitais.
Nunca queiram senti-la, ela pode levá-los à loucura em questão de segundos, ela pode deixá-los cegos para as coisas que os deixam felizes, a ponto de só poder abrir seus olhos para odiar alguém, ou alguma coisa, e sentir a imensurável vontade de matar ou maltratar, até que alguém te salve desse ato sujo e mal caráter.
A minha ira é momentânea, que bom. Seria capaz de elevar meu sadismo ao extremo se muito durasse.
O que mais me machuca, é ter de suportar a ira seguida da dor e pesadelos.
Vergonha. Devia ter ouvido papai Arthur Schopenhauer: " Não deixes transparecer teu ódio e tua ira".
Era um desabafo "papai"...

-Mas escutas: "Uma ira desmedida acaba em loucura; por isso, evita a ira, para conservares não apenas o domínio de ti mesmo, mas também a tua própria saúde"...

Obrigada Séneca, prometo para mim mesma proteger-me de situações que me enlouquecem, que me deixam, literalmente, irada.

Prometo não me irritar quando alguém tentar se passar por mim.

sábado, 3 de julho de 2010

Primeiro conto onírico...


"Perturbadora noite. Um sonho simples e ingênuo para qualquer um, mas não para mim.
Eu a via perfeitamente, sentia um incômodo, uma vontade de sair correndo daquele lugar, mas minha pernas não me deixavam, queriam permanecer ali, assim como uma grande parte de mim.
Ela não sorria, não fazia careta, ficava apenas só em seu mundo, e me ignorava, chegava a olhar para mim, mas não me via; isso me fazia parecer tão invisível e tão inútil naquele lugar... Mas eu queria permanecer ali, queria que ela me visse, queria ouvir sua voz, conhecer seu sorriso e entender o que nunca entendi.
Seus olhos me incomodavam ao olhar diretamente para os meus, sem demonstrar sequer uma emoção; eram gélidos e confusos. Confusão. Queria sair de lá.
Em outro mundo, não estava mais com ela, estava com um rapaz, um rapaz que muito me encanta, um rapaz que me diz para continuar a tentar entendê-la, conquistá-la.
Voltei. Perturbada. Amedrontada. Aqueles olhos sem expressão definida me fitavam novamente, mas dessa vez, fitavam realmente a mim, olhavam para os meus olhos, reparavam cada movimento de minha face, de meu corpo. Ela falou comigo.
Naquele momento fiquei estranhamente feliz, mas amedrontada.
Aquela voz entrava em meus ouvidos e despertava sentidos que nunca foram despertados. Meu sangue fluía para as mãos, meu corpo se sentia forte e raivoso. Eu poderia matá-la.
Ah, aquelas palavras me faziam chorar por dentro, me faziam morrer por dentro, mas eu queria ficar, eu só queria conquistar aquela moça, aquela moça que tanto me perturbava, me provocava, me fazia enlouquecer.
Eu tentava falar, não conseguia. Eu estava prestes a explodir mas queria que ela ouvisse o que eu tinha a dizer. Permaneci junto a ela.
O sangue agora fluía novamente para as pernas, eu só queria fugir e parar de sofrer com aquelas palavras, com aqueles olhos gélidos e agora, provocantes.
Não consegui fugir, não consegui falar, não consegui chorar, não consegui morrer...
Só consegui querer agradar aquela que sugava minhas forças; me matava por dentro e me fazia querer sumir por fora. Sumi."






Como eu queria que essa moça sumisse dos meus sonhos, sumisse da minha vida...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

"Parece recíproco"

"Até sem inspiração, pensar em ti me faz escrever,

até sem estar te vendo consigo te sentir,

e meu sorriso começa discretamente a surgir.

Querer-te por perto está cada dia mais fácil,

abraçar-te virou um vício,

teu gosto, teu cheiro, teu toque

a cada momento conseguem me envolver,

meu corpo responde,

meus olhos respondem,

minha boca te beija, te beija, e te deseja...

Ritmo frenético estar contigo,

calor intenso teu abrigo,

te sinto, te gosto, aposto:

me queres contigo,

te quero comigo."


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Hoje "meu" pecado é a inveja...

Inspirada nos pecados capitais, estou escrevendo algo sobre cada um deles; hoje, a inveja.
Como não me encontrei nesse tema, meu eu-lírico se encontrou.
Resolvi fazer um soneto, o que exigiu um trabalho maior, e mais tempo me dedicando à esse post, à cada verso decassílabo, à cada palavra; simplesmente adorei passar um tempo escrevendo, e mais um pouco escolhendo a imagem ideal.
Então aí vai meu "Soneto da Inveja".





Soneto da Inveja

Ah! Quem me dera ser você - um pouco
Só para sentir aqueles braços nus
Para ter aquelas curvas, e também
Aquele doce rosto, belo amor.

Poder desfrutar de uma paixão
Que nunca terei: a que você tem.
Você, desprezivelmente feliz
Me olha com superioridade.

Você pode, você a tem; e eu
Submisso à ela, inferior
Posso sonhar, e invejar você.

Ah! Essa inveja há de me matar!
Mereço! Do jeito que o cobiço...
É... Não mereço nada além da morte.