Obtive uma nota ótima, fato. E admito que fiquei orgulhosa de mim.
Pode não ser tão boa assim para você que está lendo, mas na verdade estou postando porque nunca quero perder essa produção.
Eu e Pablo uma vez, até improvisamos uma música em cima dela, ficou muito legal, mas como era de se esperar, esquecemos o que fizemos, e isso foi muito triste, mas fico feliz por não ter perdido a redação.
" Regeneração do meu sertão
Hoje faz seis meses completos, agonizantes seis meses que nosso sertão não vê água, não pode senti-la, não pode tê-la.
Suas terras, seus animais, seus habitantes, estão todos morrendo; estão todos "rachando": o chão, as bocas, as peles, as vidas.
O Nordeste nunca esteve tão "vermelho", tão triste, tão morto; Não há mais água para nos refrescar, para nos dar alimento, para nos dar de beber.
Estou escrevendo este texto como forma de súplica, forma de não ter de gastar o pouco de saliva que resta em minha boca seca e queimada. Olhando agora para as terras à minha volta, vejo crateras provocadas pelo calor, vejo animais esgotados, mortos por procurar água, mas vejo também agora, o dia não vermelho, mas negro, como se subitamente anoitecesse: o céu se fechou em nuvens negras bem à minha frente, relâmpagos iluminavam tudo, pessoas saíam de suas humildes casas tão rápido quanto a súbita negritude do céu.
Começou a chover forte. Animais e pessoas se banham naquela chuva, não só como reação de alegria, mas também como de desespero.

Nesse momento, água tem gosto, gosto de vida e de milagre; água tem forma, forma de felicidade e de regeneração, regeneração dos campos, do sertão.
Tudo está molhado, desde as folhas das árvores às folhas de papel em que escrevia; minha súplica transformou-se, assim como tudo à minha volta, em água. Sorrir nunca foi tão fácil. "
Não tenho muitas palavras para descrever este texto, mas posso dizer: especial.
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